Um cara normal de feitos extraordinários

Na coluna de hoje, escreverei sobre Stanislas Wawrinka, o Stan the Man. O título do artigo é de autoria do meu amigo Rafael Faltz, que teve um acidente com a moto, mas já se recuperando para voltar a ativa em breve. Boa recuperação, Rafa!

Durante mais de uma década, o tênis masculino foi dominado pela hegemonia do chamado Big Three (Federer, Nadal e Djokovic). No entanto, entre 2014 e 2016, um suíço com um dos backhands mais belos e destrutivos do esporte provou que era possível não apenas competir, mas derrotar os deuses do tênis nos maiores palcos do mundo. Esse homem é Stanislas “Stan The Man” Wawrinka.

FONTE: Australia Open

Assim como Andy Murray, Stan Wawrinka conquistou 3 Grand Slams na Era do Big Three. É um feito extraordinário. Stan não ganhou apenas Wimbledom onde no máximo foi às quartas de final. Ganhou o Australia Open em 2014 superando Rafael Nadal, Roland Garros em 2015 e US Open em 2016, ambos sobre Novak Djokovic. Também é dono de um ouro olímpico em Pequim 2008, formando dupla com Roger Federer.

“Stanimal”

O apelido “Stanimal” não é por acaso. Wawrinka é conhecido por sua força no fundo de quadra e por sua capacidade de ditar o ritmo contra qualquer oponente, principlamente, com seu backhand de uma mão. Stan tatuou no braço uma frase de Samuel Beckett que define sua carreira: Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.” (Sempre tentou. Sempre falhou. Não importa. Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor). Esta frase pode ser utilizada por nós tenistas amadores.

O “Capítulo Final” em 2026

Após enfrentar diversas cirurgias no joelho e no pé nos últimos anos, Wawrinka anunciou em dezembro do ano passado, que a temporada de 2026 marcará a sua despedida oficial. Aos 40 anos, o suíço decidiu fazer um “último esforço” para celebrar sua carreira nos torneios que mais ama. “Todo livro precisa de um fim. É hora de escrever o capítulo final da minha carreira como tenista profissional.” — disse em suas redes sociais.

Mesmo em sua temporada de despedida, Stan continua mostrando lampejos do tênis que o levou ao posto de número 3 do mundo, como visto em suas vitórias emocionantes no Australian Open de 2026, onde foi ovacionado de pé pelo público de Melbourne. Sua jornada no Australia Open 2026 acabou na terceira rodada ao perder para o tenista norte-americano, Taylor Fritz.

Legado

Wawrinka deixará o tênis não apenas como um multicampeão, mas como o exemplo de que o auge pode chegar mais tarde (ele venceu seu primeiro Slam aos 28 anos) e que a persistência diante de lesões vale a pena. Diferente da imagem de seres humanos extremamente disciplinados como alguns de seus rivais, Stan sempre cultivou uma imagem de “homem do povo”, que aprecia os prazeres simples da vida. Prazeres como tomar uma boa cerveja. E foi assim que ele se despediu de Melbourne ao oferecer na entrevista oficial uma cerveja para o diretor oficial do torneio, Tiley Craig.

Stan quebrou o protocolo: “Normalmente falamos após uma final, mas hoje não é uma final… Se você não se importar, Craig , eu gostaria de compartilhar uma cerveja com você.” Ele buscou duas latas de cerveja geladas em seu banco, entregou uma ao diretor do torneio e ambos brindaram diante de milhares de fãs que o aplaudiam de pé.

FONTE: Australia Open

O gesto simbolizou o encerramento de um ciclo de 20 anos no torneio onde ele venceu seu primeiro Grand Slam (2014), trocando a pressão da competição pela gratidão e o relaxamento de quem sabe que deu tudo de si. Stan foi o mais humano dos campeões de Grand Slam das últimas duas décadas.



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