Por que o tênis amador é o verdadeiro motor do esporte no Brasil

Editorial.

Durante anos, fomos levados a acreditar que o futuro do tênis brasileiro depende exclusivamente de talentos excepcionais, de um ou dois nomes que rompem a bolha e conseguem sobreviver ao circuito profissional. A cada nova promessa, depositamos expectativas quase irreais. Quando ela não se concretiza, repetimos o ciclo da frustração.

Mas talvez o maior erro do tênis brasileiro esteja exatamente aí: olhar apenas para o topo e ignorar a base que sustenta tudo.

A verdade — incômoda para alguns, libertadora para outros — é simples: o tênis amador é o verdadeiro motor do esporte no Brasil.

Não são os poucos atletas profissionais que mantêm quadras abertas, professores empregados, torneios acontecendo todos os fins de semana e clubes investindo em estrutura. Quem faz isso, dia após dia, é o jogador amador. Aquele que treina antes do trabalho, que joga à noite, que viaja no fim de semana para competir, que paga inscrição, consome conteúdo, movimenta academias e, principalmente, mantém o tênis vivo.

O tênis acontece onde o amador está
Em cidades como Paulínia, na Região Metropolitana de Campinas e em centenas de municípios pelo país, o tênis não pulsa por causa de grandes arenas ou eventos internacionais. Ele pulsa nas quadras de bairro, nos clubes, nas academias e nos torneios organizados por ligas amadoras.

Ligas como a LTP, a LTA e tantas outras espalhadas pelo Brasil cumprem um papel que vai muito além da competição. Elas organizam calendários, criam pertencimento, estimulam rivalidades saudáveis e dão sentido à rotina do jogador comum. São elas que transformam o “bater bola” em jornada esportiva.

Sem essas ligas, o tênis seria solitário. Com elas, ele vira comunidade.

Academias: muito mais que centros de treino
As academias de tênis, muitas vezes vistas apenas como prestadoras de serviço, são na prática centros de formação esportiva e social. É nelas que o amador aprende a competir, a ganhar, a perder, a respeitar regras, a conviver com diferentes níveis e idades.

São as academias que sustentam o professor, que formam novos praticantes e que criam o primeiro vínculo emocional do jogador com o esporte. Sem academias fortes, não há tênis forte. E sem jogadores amadores, nenhuma academia se sustenta.

O erro histórico do tênis brasileiro
O tênis brasileiro historicamente errou ao tratar o amador como degrau, e não como pilar. Como se ele fosse apenas uma fase passageira, um meio para chegar ao alto rendimento.

Mas o amador não é um projeto inacabado de profissional. Ele é o fim em si mesmo. Ele joga por prazer, por saúde, por competição, por amizade. E isso não diminui o esporte — isso o fortalece.

Países com tênis sólido entenderam isso há muito tempo: quanto mais forte o ecossistema amador, mais sustentável é todo o sistema.

O futuro passa pela base que já existe
O mais esperançoso de tudo é perceber que essa base já está aí. Ela existe em Paulínia, na RMC, no interior e nas capitais. Existe nos torneios cheios, nas categorias equilibradas, nas histórias de superação pessoal, nos atletas de fim de semana que levam o tênis a sério.

O que falta não é jogador. Falta reconhecimento, organização e voz.

E é exatamente aí que iniciativas como a LTP News se posicionam: para olhar o tênis de baixo para cima, da quadra para fora, do amador para o todo. Para analisar, valorizar e incentivar quem realmente faz o esporte girar.

Se o tênis brasileiro quiser crescer de forma consistente, o caminho não é esperar o próximo fenômeno surgir. O caminho é fortalecer quem nunca parou de jogar.

Porque no Brasil, o tênis não sobrevive apesar do amador.
Ele sobrevive por causa dele.

Geração IA

Autor:

Uma resposta para “Por que o tênis amador é o verdadeiro motor do esporte no Brasil”

  1. Avatar de Wilson Andrade
    Wilson Andrade

    Excelente artigo. Num recente News Balls Please, o Fernando Meligeni disse algo neste sentido. O tênis amador que sustenta à prática esportiva do nosso esporte.

    E a LTP está de parabéns, por fazer parte do tênis amador da nossa RMC.

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