Panorama das lesões no tênis e estratégias de prevenção

O tênis é um esporte explosivo, multilateral e assimétrico, que combina acelerações, frenagens, mudanças rápidas de direção e movimentos repetitivos de membros superiores. Essa combinação, apesar de fascinante, torna o tenista particularmente vulnerável a um conjunto específico de lesões. Entender esse panorama é o primeiro passo para melhorar desempenho e longevidade no esporte.

As lesões mais frequentes em tenistas incluem problemas no ombro (síndrome do impacto, tendinopatias do manguito rotador), cotovelo (tendinopatia lateral, o famoso “tennis elbow”), punho, coluna lombar e joelhos. Em membros inferiores, as lesões decorrem tanto de sobrecarga quanto de gestos explosivos, como entorses de tornozelo, tendinopatias patelares e lesões musculares nos músculos posteriores da coxa e panturrilhas.

A causa dessas lesões normalmente envolve três fatores principais: sobrecarga, técnica inadequada e fraqueza ou desequilíbrios musculares. O excesso de volume de treinos sem recuperação adequada também desempenha papel importante, especialmente em jogadores amadores que treinam de forma irregular ou sem preparo prévio.

A boa notícia é que a prevenção de lesões no tênis evoluiu enormemente nos últimos anos. Hoje sabemos que programas preventivos com fortalecimento específico, controle motor e mobilidade reduzem significativamente o risco de lesões. Exercícios para o manguito rotador, estabilizadores escapulares e musculatura de core têm impacto direto na performance e na saúde articular. Da mesma forma, treinos de agilidade, pliometria e força de membros inferiores ajudam a diminuir entorses, sobrecargas e desequilíbrios.

Além do treino físico, outros fatores influenciam na prevenção: escolha adequada da raquete (peso, rigidez, tamanho do cabo), encordoamento, calçados ajustados ao tipo de quadra e cargas bem distribuídas ao longo da semana.

Por fim, a avaliação fisioterapêutica preventiva é uma das ferramentas mais eficientes para identificar limitações de mobilidade, desequilíbrios musculares, assimetrias de força e padrões de movimento que predispõem lesões.

Para o jogador de tênis moderno — competitivo ou recreativo — prevenção deixou de ser um diferencial e passou a ser necessidade.

Fonte: Pas HIMFL, et al. Systematic development of a tennis
injury prevention programme, BMJ Open Sport Exerc Med 2018;4:e000350. doi:10.1136/bmjsem-2018-000350


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