A Rússia, presidida pelo autocrata Vladimir Putin, invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022, dando início a uma guerra desproporcional entre a Rússia e a Ucrânia. Desde então, a guerra ultrapassou os campos de batalhas das cidades ucranianas invadidas, para os esportes. E o tênis, obviamente, não ficou fora disso.
Os atletas russos não competem mais defendendo a bandeira do seu país, devido a proibição do COI (Comitê Olímpico Internacional), desde os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi (2014) em que atletas russos foram pegos nos exames antidoping. A medida do COI visa proteger os atletas russos de hostilização, e competirem apenas como indivíduos.
A rivalidade russo-ucraniana não se iniciou recentemente, é histórica. O império russo iniciou a incorporação da Ucrânia no século XVII, até ser totalmente absorvida no final do século XVIII. Neste período, livros não podiam ser fabricados nem escritos em ucraniano, até a língua ucraniana ser totalmente proibida de ser ensinada nas escolas.
Durante a Revolução Socialista de 1917, a Ucrânia teve uma breve independência até 1922, quando foi novamente incorporada, agora pela União Soviética. Nas primeiras décadas do Socialismo, a Ucrânia passou pelo processo de coletivização das terras promovida pelo presidente soviético, Joseph Stálin. Este processo levou milhões de ucranianos a morrerem de fome e a mais completa miséria. Episódio conhecido na História como “Holodomor”.
Após a fragmentação do bloco socialista em 1991, a Ucrânia e mais 15 Repúblicas tornaram-se independentes da Rússia. No entanto, a Rússia voltou a invadir o território ucraniano no ano de 2014 com a anexação do território da Crimeia, uma península no Mar Negro.
Em fevereiro de 2022, se inicia a nova investida russa em território ucraniano, com ocupação hoje de 20% da Ucrânia pela Rússia. O sentimento anti-Rússia se tornou ainda mais forte entre os ucranianos.
Nos esportes não é diferente. As atletas ucranianas, Elina Svitolina e Anhelina Kalinina em retaliação a guerra, não cumprimentam as atletas russas e bielorrussas ao final das partidas, mesmo aquelas atletas russas que se colocaram contrárias ao regime e a guerra promovida por Vladimir Putin, caso da tenista Daria Kasatkina. Kasatkina é uma mulher LGBT, que denuncia a autocracia russa, inclusive que seu país proíbe qualquer relação homoafetiva. Ela não merecia ser cumprimentada ao final das partidas pelas atletas ucranianas?

Na semana passada, a tenista Elina Svitolina, voltou a repetir o gesto ao perder para a menina Mirra Andreeva, 17 anos, em Indian Wells, não cumprimentou a garota, o que rendeu muitas críticas nas redes sociais. É difícil ver a cena e não achar que Svitolina errou ao não cumprimentar a Andreeva, que nada tem a ver com a guerra. Mas, por outro lado, não estamos na pele dos ucranianos que passaram e continuam a passar pela opressão russa em tantos séculos.
É um debate e tanto, para o qual não há respostas certas nem erradas.
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