No placar aparece 40–30.
Mas, muitas vezes, o ponto mais decisivo acontece antes do saque.
Quem joga tênis sabe: há partidas em que tudo parece sob controle até que, de repente, a cabeça pesa. O corpo responde diferente, o erro incomoda mais e o jogo muda sem que o adversário tenha feito nada extraordinário.
Esse é o território da Mental Break Point — o ponto psicológico que não aparece no placar, mas define rumos.
No artigo anterior, falamos sobre o jogo que acontece por dentro. Hoje, vale olhar para quem está vivendo isso no mais alto nível do tênis mundial: João Fonseca.
Depois de Gustavo Kuerten, ele se tornou o primeiro tenista brasileiro a romper a barreira do Top 30 do ranking mundial. Um marco histórico para o tênis nacional. Mas reduzir essa conquista a números seria pouco.
O que chama atenção em Fonseca não é apenas o talento, mas a forma como ele sustenta emocionalmente o próprio crescimento. Ele joga com intensidade, mas sem pressa. Com ambição, mas sem desespero. O erro não parece desorganizá-lo por dentro — e isso, no tênis, vale muito.
No circuito profissional, não sobrevive quem joga melhor em um dia específico, mas quem consegue repetir comportamentos mentais sólidos ao longo de semanas, meses, temporadas. Fonseca tem mostrado exatamente isso: presença, recuperação rápida após pontos perdidos e clareza nos momentos importantes.
Por isso, ao falar de 2026, projeções realistas indicam mais do que empolgação. A consolidação no Top 20 é um cenário plausível. E, se a evolução técnica vier acompanhada da manutenção desse equilíbrio emocional, uma entrada no Top 10 e até uma vaga no ATP Finals deixam de ser sonho distante e passam a ser possibilidade concreta.
Mas é justamente agora que o desafio aumenta. Expectativa externa, comparações com o passado, pressão por resultados rápidos. É nesse ponto que muitas carreiras oscilam. Não por falta de tênis, mas por excesso de ruído interno.
No tênis amador, a lógica é a mesma. Vejo jogadores tecnicamente preparados se perderem emocionalmente quando o jogo aperta. Não porque não saibam jogar, mas porque não conseguem permanecer no ponto.
Talvez a maior lição seja simples e difícil ao mesmo tempo: não vence quem sente menos, vence quem se reorganiza mais rápido.
E isso vale para quem sonha com o Top 10 — e para quem joga no clube no fim de semana.
O jogo segue.
E o próximo ponto começa sempre dentro.




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