Da “bola vermelha” ao Grand Slam: A Nova Geração do Tênis Brasileiro Começa Cedo


Nas quadras brasileiras, o som da bola ecoa cada vez mais cedo. Crianças de cinco a quatorze anos estão ocupando o espaço que antes era quase exclusivo de atletas adultos, graças a uma revolução silenciosa que transformou a forma como o tênis é ensinado e vivido no país.

Com a adoção da metodologia internacional da ITF, play and Stay, que utiliza bolas mais lentas e quadras adaptadas para cada faixa etária — vermelha, laranja e verde —, o esporte ficou mais acessível, divertido e desafiador para os pequenos. Hoje, não é raro ver crianças sacando, trocando bolas e disputando pontos como gente grande já na primeira aula.

[Foto: google imagens]

Esse novo modelo ganhou força com o trabalho sério da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que implementou regras específicas para competições infantis e passou a investir em torneios nacionais voltados exclusivamente para as categorias de base. Esses esforços têm sido fundamentais para o surgimento de novos talentos.

O exemplo mais evidente é João Fonseca, que vem brilhando no circuito profissional internacional, e mais recentemente Gustavo, um jovem de apenas 16 anos que está escrevendo sua própria história em Wimbledon. Ambos são frutos de um ecossistema que vem sendo cuidadosamente construído e que começa nas quadras coloridas da infância.

Espalhados pelo Brasil, centros de treinamento vêm desempenhando papel essencial nessa transformação. No Região Metropolitana de Campinas (RMC), academias como Tella Tennis, De Lucca, Tulé Tennis Academy (TTA), Hípica Campinas, Tênus Clube Campinas (TCC) e Melo Tênis, se destacam pelo trabalho com o público juvenil, oferecendo estrutura técnica e emocional para que jovens atletas possam se desenvolver. Esses centros não apenas treinam, mas criam experiências de competição e convivência que estimulam o comprometimento e o amor pelo esporte.

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Além dos benefícios físicos e cognitivos, o tênis tem um papel fundamental no desenvolvimento emocional das crianças. Ao lidar com vitórias e derrotas desde cedo, os pequenos aprendem a controlar a frustração, a valorizar o esforço contínuo e a respeitar o adversário.

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A rotina de treinos e competições também ensina disciplina, foco e responsabilidade — habilidades que ultrapassam os limites da quadra e se refletem na escola, na convivência familiar e na vida em sociedade. Mais do que formar atletas, o tênis ajuda a formar cidadãos mais resilientes, éticos e preparados para os desafios da vida.

Outro fator crucial nesse processo é a existência de torneios amadores, que permitem às crianças e adolescentes vivenciarem a emoção de competir sem a pressão de resultados imediatos. Eventos locais, organizados por clubes e academias, têm crescido em número e qualidade.

A Liga de Tênis de Paulínia (LTP), por exemplo, tem se destacado como uma das principais incentivadoras do tênis amador na região, promovendo circuitos e rankings que mobilizam atletas (jovens e adultos), treinadores e famílias.

Finalistas da categoria juvenil sub-14 no torneio Atmos Open Autumn em 2025 [Foto: André Pedroso]

Esse movimento tem um reflexo direto no envolvimento dos pais, que muitas vezes se tornam os maiores incentivadores dos filhos, levando-os a treinamentos mais estruturados e investindo no esporte como um caminho de desenvolvimento pessoal e esportivo.

O incentivo ao tênis em Paulínia também ganha força com o apoio direto da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Esportes, sob a liderança do secretário Alexandre Fávaro e apoio do prefeito Danilo Barros. Um dos grandes destaques é a Escola de Tênis da Prefeitura, localizada no Complexo Esportivo do Itapoan, que oferece aulas gratuitas para munícipes de todas as idades — desde crianças que estão dando as primeiras raquetadas até alunos da terceira idade. Essa iniciativa amplia o acesso ao esporte, promove saúde, inclusão e reforça o papel social do tênis como ferramenta de transformação e bem-estar para a comunidade paulinense.

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O tênis infantil e juvenil no Brasil vive um momento de renovação e esperança. A combinação entre metodologia moderna, incentivo institucional, centros de excelência e torneios acessíveis forma uma base sólida para o surgimento de uma nova geração de tenistas.

Meninos e meninas que hoje correm atrás de uma bola vermelha podem, em poucos anos, estar disputando pontos nos maiores palcos do mundo. O futuro do tênis brasileiro está sendo construído agora, ponto a ponto, com entusiasmo, talento e muita cor nas quadras.

Vitória Barros [Foto: google imagens]
Guto Miguel [Foto: google imagens]


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