Existe algo no tênis que vai muito além do forehand bem executado ou do saque que finalmente entra. Existe algo que acontece fora do placar, mas que transforma profundamente quem pisa na quadra com regularidade. E, curiosamente, esse algo não nasce no isolamento — nasce no encontro.
Nos últimos anos, o tênis deixou de ser apenas um esporte individual praticado em silêncio e passou a se revelar como um poderoso espaço de convivência, pertencimento e cuidado mental, especialmente entre jogadores amadores. Grupos como o da LTP, os Madrugadores de Paulínia, as rodas que se formam nas quadras públicas, nas academias da região — De Lucca, Tella Tênis, clubes e espaços informais de Campinas e entorno — mostram que o jogo ganha outro significado quando é vivido em coletivo.
O ser humano não foi feito para jogar sozinho
Do ponto de vista psicológico, o isolamento é um dos maiores fatores de risco para ansiedade, depressão e adoecimento emocional. O que muitas vezes parece apenas “um jogo com amigos” é, na verdade, uma poderosa rede de proteção psíquica.
Quando jogadores se organizam em grupos, criam rotinas, combinam horários, trocam mensagens, comemoram vitórias e dividem frustrações, eles estão fazendo algo essencial para a saúde mental: criando vínculo.
O tênis vira desculpa — e das melhores — para:
- sair de casa
- movimentar o corpo
- rir, provocar, ouvir
- ser visto e reconhecido
E isso tem impacto direto no bem-estar emocional e até na expectativa de vida.
A quadra como espaço terapêutico (mesmo sem terapia). Não é exagero dizer que a quadra, nesses contextos, funciona quase como um ambiente terapêutico informal. Ali, o jogador amador:
- aprende a lidar com erros sem ser julgado
- experimenta frustrações em ambiente seguro
- exercita a paciência e a tolerância
- se sente parte de algo maior do que ele
A ciência já mostra que práticas esportivas associadas ao convívio social têm efeitos mais duradouros na saúde mental do que atividades feitas de forma solitária. E o tênis, quando vivido em grupo, reúne dois elementos fundamentais: movimento + pertencimento.
Amador, mas profundamente humano
O jogador amador não joga para viver do tênis. Ele joga para viver melhor.
Ele joga antes do trabalho, depois de um dia pesado, no fim de semana, no intervalo possível da vida real.
E quando faz isso em grupo, ele encontra algo raro nos tempos atuais: constância afetiva.
Os grupos criam rituais:
- o café depois do jogo
- a resenha na beira da quadra
- a zoeira que alivia a semana
- o “aparece amanhã” que vira compromisso emocional
Isso reduz o estresse, melhora o humor, fortalece a autoestima e cria uma sensação de continuidade que faz muito bem à mente.
Mais do que bater bola, é construir vida
Talvez o maior ganho desses encontros não esteja no ranking, no resultado ou na evolução técnica — mas na sensação de que a vida fica mais leve quando é compartilhada.
Em tempos de pressa, telas e solidão disfarçada de rotina cheia, grupos de tênis representam resistência. Eles lembram que cuidar da saúde mental não precisa ser solitário, pesado ou silencioso. Pode ser com raquete na mão, suor no rosto e risada alta entre um ponto e outro.
No fim das contas, o tênis segue sendo individual no placar.
Mas, para a mente, ele funciona muito melhor quando é coletivo.
E talvez esse seja o match point mais importante de todos.

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