O tênis tem sido apontado como um dos esportes mais completos e saudáveis do mundo. Estudos recentes e amplamente divulgados mostram que a modalidade está associada a maior expectativa de vida, melhora significativa da saúde cardiovascular, benefícios cognitivos, desenvolvimento da coordenação motora e ganhos importantes para a saúde mental.
Como alguém apaixonado pelo esporte e que vive o tênis dentro e fora das quadras, é fácil concordar com tal afirmação.
O tênis realmente oferece algo único: combina explosão, resistência, tomada de decisão rápida, estratégia. Se falar no lado da socialização e lazer, visto que é um esporte que gera conexão com diversos outros jogadores.
Poucos esportes conseguem reunir tantos estímulos físicos e mentais ao mesmo tempo.
Mas a pergunta que proponho aqui é a seguinte: até que ponto apenas jogar tênis é suficiente para manter o corpo saudável e garantir longevidade dentro da modalidade?
Não há como negar os inúmeros pontos positivos que a modalidade proporciona ao praticante.
No Tênis vemos jogadores amadores ativos dos 20 (ou até menos) aos 70 anos, algo extremamente raro de se encontrar em outras modalidades como futebol, para citar um dos esportes mais populares do Brasil por exemplo.
O tênis permite adaptação de intensidade, nível técnico e carga física, o que contribui para tal longevidade.
O problema começa quando o tênis deixa de ser parte de um conjunto de cuidados e hábitos saudáveis e passa a ser o único pilar da vida ativa de uma pessoa.
É muito comum e recorrente ouvir: “eu jogo tênis, então não preciso fazer musculação”, ou até “meu exercício é só o tênis”.
Aqui mora um risco importante e chamo atenção para um alerta:
O tênis é um esporte repetitivo e de alto impacto em determinadas estruturas do corpo. Ombros, cotovelos, punhos, quadris, joelhos e coluna são constantemente exigidos, muitas vezes sempre do mesmo lado e de forma repetitiva.
Sem um corpo preparado para absorver essas cargas, uma hora a conta chega.
E, via de regra, ela chega em forma de lesão e um inevitável afastamento das quadras.
Epicondilite, o famoso “cotovelo de tenista” lesões no ombro como bursites, dores lombares, desgaste nas articulações do joelho e sobrecargas musculares são extremamente comuns entre praticantes que jogam com frequência, mas acabam deixando de lado outros aspectos fundamentais da preparação física.
Para que o tênis seja de fato um esporte saudável, principalmente pensando a longo prazo, ele precisa estar acompanhado de outras práticas.
A musculação bem orientada não é opcional. Ela é parte essencial do seu jogo.
O treinamento resistido, seja ele em uma sala de musculação, treinamento funcional, ou até um treino de calisteinia vai fortalecer seus músculos, articulações e tendões.
A partir do treinamento você terá uma melhora significativa na estabilidade e, por consequência, reduzirá drasticamente o risco de lesões.
Outro ponto importante que devemos ressaltar aqui são os exercícios cardiovasculares de menor impacto, como bike, caminhada ou até uma corrida de baixa intensidade, que vão auxiliar na recuperação muscular, na saúde do coração e no controle do volume de treino. Além de melhorar muito o condicionamento e capacidade cardiovascular para as partidas de tênis.
Ainda dentro do treinamento fora das quadras, um ponto muito importante e pouquíssimo praticado pela maioria dos tenistas amadores é a fisioterapia preventiva.
Trabalhar mobilidade, alongamento e correção de desequilíbrios, para citar alguns exemplos, fazem diferença direta na performance e na durabilidade do corpo.
Bem, e depois de tudo isso? O cuidado continua.
Alimentação adequada, hidratação constante, descanso e sono regulado são fatores que não aparecem no placar, mas decidem o jogo a médio e longo prazo. Não adianta treinar bem e competir forte se o corpo não tem tempo nem recursos para se recuperar.
Se existe algo que o tênis nos ensina, é que consistência vence potência. E isso vale também para a saúde.
Jogar tênis é sim extremamente saudável.
Mas apenas entrar em uma quadra e começar a bater na bolinha amarela sem todos esses pontos citados aqui, pode transformar um esporte que deveria ser sinônimo de bem-estar em uma fonte constante de dores, frustrações e interrupções forçadas.
O verdadeiro objetivo, seja para um atleta amador ou até para um atleta profissional, deveria ser claro: manter-se jogando bem por muitos anos. E isso só é possível quando entendemos que o tênis é o centro do jogo, mas não o jogo por inteiro.
Cuidar do corpo fora da quadra é, no fim das contas, uma das formas mais inteligentes de amar o esporte dentro dela.

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